MULHERES EXTRAORDINÁRIAS QUE MUDARAM O BRASIL
Dandara dos Palmares (1654 – 1694)

Quem foi ela?
Embora a história oficial muitas vezes tente apagá-la, Dandara foi uma mulher negra que dominava a capoeira e liderava frentes de batalha. Ela não aceitava a submissão e participava ativamente das decisões políticas do quilombo.
A Luta pela Liberdade Total
Dandara se opôs radicalmente ao tratado de paz proposto pelo governo colonial em 1678. O acordo oferecia liberdade apenas para quem nasceu em Palmares, mas mantinha a escravidão para os negros de outras fazendas. Para ela, a liberdade de uns não valia o sacrifício de muitos. Ela lutava pela erradicação total da escravidão.
Margarida Alves (1933-1983)

quem foi ela?
Foi Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB) por 12 anos. Em uma época em que o sindicalismo era dominado por homens, Margarida rompeu barreiras e enfrentou os poderosos usineiros da região.
O que ela defendia?
Margarida não pedia favores; ela exigia direitos. Durante sua gestão, ela moveu mais de 600 ações trabalhistas contra usinas de açúcar, lutando por:
- Carteira de trabalho assinada;
- Jornada de 8 horas;
- Férias e 13º salário;
- O fim do trabalho infantil e o direito à educação para os filhos dos trabalhadores.
O Martírio e o Florescer
Em 12 de agosto de 1983, Margarida foi assassinada na porta de sua casa, na frente do marido e do filho, a mando de latifundiários. Eles achavam que matando a líder, matariam o movimento. Enganaram-se. Margarida virou semente e deu origem à Marcha das Margaridas, a maior mobilização de mulheres trabalhadoras da América Latina.
Benedita da Silva (1942-Atual)

Benedita não nasceu em berço de ouro; ela nasceu na favela do Chapéu Mangueira (RJ). Antes de ser uma das parlamentares mais respeitadas do Brasil, ela foi lavadeira, servente e auxiliar de enfermagem. Ela conhece o suor do trabalho braçal tanto quanto cada mulher no chão de fábrica.
Quem é ela?
Uma “mulher de primeiras vezes”. Benedita quebrou o teto de vidro da política brasileira ao se tornar:
- A primeira mulher negra a ser vereadora no Rio de Janeiro;
- A primeira mulher negra a ocupar uma cadeira no Senado Federal;
- A primeira governadora negra de um estado brasileiro (RJ).
Pelo que ela luta?
Sua trajetória no Congresso Nacional é marcada pela defesa intransigente dos direitos sociais. Entre suas maiores vitórias estão:
- PEC das Domésticas: Benedita foi fundamental para garantir que as trabalhadoras domésticas tivessem os mesmos direitos que qualquer outro trabalhador (FGTS, hora extra, jornada definida).
- Cotas Raciais: Defensora ferrenha da inclusão de negros e indígenas nas universidades.
- Saúde da Mulher: Autora de leis que garantem o exame de câncer de mama e colo de útero pelo SUS.
Maria da Penha (1945-Atual)

Quem é ela?
Em 1983, Maria da Penha sofreu duas tentativas de feminicídio pelo próprio marido. A primeira a deixou paraplégica. A segunda foi por eletrocussão enquanto ela banhava. O agressor só foi punido 19 anos depois, graças à persistência dela em denunciar o Estado brasileiro em instâncias internacionais.
A Lei que leva seu nome (Lei 11.340/2006)
Sancionada em 2006, a Lei Maria da Penha é considerada pela ONU uma das três melhores legislações do mundo no combate à violência doméstica. Ela define que a violência contra a mulher não é “briga de marido e mulher”, mas uma violação dos direitos humanos.
O que ela garante à trabalhadora?
Muitas metalúrgicas não sabem, mas a lei prevê proteções específicas para o ambiente de trabalho:
- Manutenção do vínculo trabalhista: Se a mulher precisar se afastar do trabalho por causa da violência, ela tem direito à estabilidade (por até seis meses, mediante decisão judicial).
Prioridade de remoção: Direito de ser transferida de unidade para garantir sua segurança, sem perder o emprego.
Léliza Gonzalez (1935 – 1994)

Lélia Gonzalez foi uma das maiores intelectuais do Brasil. Filha de um ferroviário e de uma empregada doméstica, ela foi de faxineira a doutora, nunca esquecendo suas origens e sempre lutando para que as mulheres negras fossem protagonistas da sua própria história.
Quem foi ela?
Professora, antropóloga e filósofa. Lélia foi fundadora do Movimento Negro Unificado (MNU) e ajudou a criar o primeiro Conselho Nacional dos Direitos da Mulher. Ela viajou o mundo denunciando que o Brasil não era uma “democracia racial” enquanto as mulheres negras estivessem na base da pirâmide social.
O que ela nos ensinou?
- Amefricanidade: Lélia criou esse conceito para dizer que a nossa cultura e a nossa resistência têm uma identidade própria, forte e vinda da união entre negros e indígenas nas Américas.
- Lugar de Fala: Muito antes desse termo ser moda, ela já dizia: “O lixo vai falar, e numa boa”. Ela queria dizer que quem sempre foi silenciado (os trabalhadores, as mulheres, os pretos) agora tomaria a palavra para dizer a verdade sobre o Brasil.
- A “Mucama” e a “Mãe Preta”: Ela denunciou como a sociedade brasileira tenta prender a mulher negra em papéis de servidão. Para Lélia, a libertação só viria através da consciência política e do estudo.
Carmem Lúcia (1954 -Atual)

Cármen Lúcia é uma das principais vozes do Supremo Tribunal Federal (STF). Mineira, conhecida por sua vida simples e firmeza absoluta, ela mostra que a Justiça não deve ser um palácio fechado, mas um instrumento para garantir a igualdade de todos perante a lei.
Quem é ela?
Jurista e professora, foi a segunda mulher a ocupar uma cadeira no STF e a segunda a presidir a Corte. Em um ambiente historicamente masculino e elitista, ela se destaca pela defesa dos direitos humanos e pela coragem de enfrentar os poderosos para manter a ordem democrática.
O que ela defende para as mulheres?
A Ministra é uma defensora ferrenha da igualdade de gênero e do combate à violência. Suas decisões e falas reforçam que:
- Igualdade Salarial: “A desigualdade de gênero é uma das formas mais perversas de injustiça”. Ela defende que, para trabalho igual, o salário deve ser rigorosamente igual.
- Participação Política: Cármen Lúcia trabalha para que mais mulheres ocupem espaços de decisão, combatendo as fraudes nas cotas de gênero nos partidos.
- Combate à Violência: É uma das maiores entusiastas da aplicação rigorosa da Lei Maria da Penha em todo o Judiciário brasileiro.
MARIELLE FRANCO (1979 – 2018)

Marielle Franco foi uma mulher negra,LGBTQIAPN+, cria da Favela da Maré, socióloga e vereadora. Ela não apenas ocupou a política; ela levou para dentro dela as demandas de quem sempre esteve na base: as mulheres negras, as trabalhadoras e a periferia.
Quem foi ela?
Marielle dedicou sua vida à defesa dos Direitos Humanos. Antes de ser eleita com uma votação histórica, trabalhou na linha de frente ajudando famílias vítimas de violência. No seu mandato, ela lutou por creches noturnas, pelo direito ao aborto legal e contra os abusos de autoridade.
O que ela defendia?
- O Direito à Cidade: Marielle lutava para que as trabalhadoras tivessem transporte digno e segurança para ir e vir das fábricas e de suas casas.
- Maternidade e Trabalho: Foi autora de projetos que garantiam suporte às mães trabalhadoras, entendendo que a jornada dupla é um dos maiores pesos para a mulher.
- Justiça e Transparência: Ela fiscalizava o poder de perto, exigindo que o dinheiro público fosse usado para quem mais precisava.
Dilma Rousseff (1947 – Atual)

Dilma não é apenas a primeira mulher a presidir o Brasil. Ela é uma economista que dedicou sua vida à defesa da soberania nacional e à justiça social, mostrando que uma mulher pode governar com pulso firme e coração voltado para os mais pobres.
Quem é ela?
Ex-presidenta do Brasil e atual presidenta do Banco dos Brics. Na juventude, lutou contra a Ditadura Militar, foi presa e torturada, mas nunca entregou seus companheiros. Foi Ministra de Minas e Energia e Ministra da Casa Civil, onde coordenou o maior programa de infraestrutura do país.
O que ela defendeu para as trabalhadoras?
- Valorização do Salário Mínimo: Durante seus governos, o salário mínimo teve ganhos reais, o que beneficiou diretamente a base da categoria metalúrgica.
- Minha Casa, Minha Vida: Priorizou a entrega das escrituras das casas para as mulheres, garantindo segurança e autonomia para as chefes de família.
- Defesa da Indústria Nacional: Dilma sempre lutou para que a indústria brasileira (especialmente a naval e a de petróleo) gerasse empregos aqui dentro, protegendo o mercado de trabalho das metalúrgicas.
Erika Hilton (1992-Atual)

Quem é ela?
Deputada Federal e ativista, Erika foi a primeira mulher trans a presidir uma comissão na Câmara dos Deputados. Sua trajetória é marcada pela superação e pela coragem de ocupar espaços que historicamente foram negados a pessoas com a sua identidade, sempre com foco na justiça social.
Pelo que ela luta?
- Fim da Escala 6×1: Erika lidera hoje uma das lutas mais importantes para a classe trabalhadora atual: a redução da jornada de trabalho para garantir que o trabalhador tenha tempo para viver, estudar e estar com a família.
- Empregabilidade e Dignidade: Luta para que pessoas trans e travestis saiam da prostituição compulsória e tenham acesso ao mercado de trabalho formal, com carteira assinada e respeito.
- Combate à Fome e Moradia: Defensora de políticas públicas que garantam o básico para quem está na base da pirâmide, combatendo as desigualdades que castigam as periferias.
