Mais de 4 mil metalúrgicos são demitidos nos seis primeiros meses de 2017

O presidente do Sindmetal-PE, Henrique Gomes avalia como preocupante a situação dos estaleitos.

 

Pelo sexto mês seguido o setor metalúrgico vem perdendo postos de trabalho, chegando a 4 mil vagas encerradas em Pernambuco. Cenário semelhante ao do final de 2014, quando a crise se evidenciava. Enquanto o governo Federal anuncia que a indústria voltou a crescer, trabalhadores e trabalhadoras amargam a perda de seus empregos em um dos setores mais significantes do Estado. “É muito preocupante o que os trabalhadores estão vivenciando, muitas demissões, e em série”, explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Pernambuco (Sindmetal), Henrique Gomes.

De acordo com Henrique, as maiores perdas de postos de trabalho foram em empresas multinacionais como a Gerdau Açonorte, Musashi, Arconic (Alcoa), Gestamp, Boll (Rexam), FCA Jaboatão, Gerdau Cabo, Reunidas Rendas, Mercon Fricon. “O estaleiro Atlântico Sul e o Vard Promar, apesar de estarem contratando, tem um alto índice de demissões”, ressalta Henrique Gomes.

Para ele, a grande surpresa foi o polo automotivo de Goiana (JEEP) que teve grande rotatividade nas vagas, com aproximadamente 800 demissões nos últimos seis meses. “Sem contar com as demissões que não são contabilizadas pelo Sindicato, aquelas de empregados com menos de um ano e que não exigem homologação, além daquelas que orientam os empregados a procurarem a Justiça do Trabalho, a exemplo da Leon Heimer, que chegou a demitir mais de 400 trabalhadores”, aponta o presidente Henrique Gomes.

Preocupação

Durante a audiência pública na Câmara de Vereadores do Recife, onde se discutiu o “Conteúdo Local da Indústria de Petróleo e Gás em Suape”, secretário de governo Macio Stefannic comentou que o Estaleiro Atlântico Sul estava recebendo do ministério de Minas e Energia o valor de R$ 500 milhões para minimizar a crise. “Esse valor está muito longe de fazer frente à grave situação que passa o Estaleiro Atlântico Sul. É preciso que o Governo do Estado, juntamente com toda a bancada federal de Pernambuco, exijam do executivo federal a manutenção do projeto do setor naval de Pernambuco”, afirma. Ele explica que o projeto passa por três eixos principais:

1 – A retomada das carteiras (contrato dos 8 navios da Satco);

2 – O refinanciamento dos R$ 2 bilhões junto ao BNDS (Marinha Marcante);

3 – A manutenção e assinatura do conteúdo local em 65%, protegendo assim os empregos, a tecnologia e a estrutura local, frente às ameaças das indústrias estrangeiras, especialmente China e Índia.

Segundo Henrique, mais de seis mil empregos estão em jogo. “Podendo chegar a 26 mil desempregados diretos e indiretos nos dois estaleiros, dependendo do setor naval. Do jeito que está, em breve o setor naval em Pernambuco será sucateado feito outros estaleiros dentro do Brasil, que saíram de 82 mil trabalhadores, chegando hoje a aproximadamente 26 mil trabalhadores do setor naval”, finaliza.

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